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17/08/2009

Gays devem se assumir no trabalho com o objetivo de minar piadas?

A coluna Carreira de Talento de hoje, assinada por Max Gehringer no jornal carioca Extra, traz uma pergunta importante, que deve fazer parte do cotidiano de vários homossexuais em seus ambientes de trabalho. A dúvida do leitor Alberto: “Sou homossexual. Trabalho na área de transportes, na qual as piadas sobre gays são constantes. Essa situação me incomoda muito porque sou bastante discreto e ninguém sabe da minha preferência sexual. Seria recomendável que eu revelasse a minha condição?”

A pergunta sobre sair do armário é sempre delicada e a resposta é pessoal e deve, invariavelmente, ser elaborada após muita reflexão. Aqui, é possível citar alguns itens do blog 30ideias, projeto do qual fiz parte, com o intuito de fornecer iniciativas pessoais que podem ajudar a causa LGBT, e que podem ajudar na hora de fazer essa reflexão. Dois itens, em especial, tratam especificamente deste assunto. Veja aí embaixo:
  • “1) Por mais que existam piadas, comentários, opiniões e até religiões reforçando o preconceito e a homofobia e tentando esculhambar os homossexuais, lembre-se de que a sua orientação sexual não vale menos do que as demais, nem é motivo de vergonha. Você não é melhor ou pior do que os outros (muito menos sujo, pecador, culpado ou doente) por ser homo, bi ou heterossexual. Sua sexualidade é apenas mais um detalhe sobre você, assim como a cor dos seus olhos.
  • 2) Sair do armário pode ter um custo na vida pessoal que deve ser avaliado. Mas também pode trazer benefícios. O fim das mentiras é sempre um alívio. Vencido o estranhamento inicial, suas relações ficam mais próximas, profundas e autênticas, com parentes e amigos gostando de quem você é de verdade. Além disso, você faz sua parte para que a sociedade assimile melhor a diversidade, ao mostrar a ela referências diferentes dos estereótipos. Pense nisso e tome sua decisão, no momento oportuno e para as pessoas que julgar adequado (você não precisa dividir sua intimidade com todo mundo).”
É por isso mesmo, acompanhando a resposta de Gehringer à pergunta de Alberto, que é possível afirmar que o melhor a fazer é sim sair do armário na empresa. Isso porque quando você deixa as coisas bem claras e, mesmo assim, passa a ser perseguido por seus colegas (tornando-se o alvo direto das piadas/comentários maldosos), tem a lei a seu favor e pode tomar medidas práticas. No entanto, é preciso ter em mente que essa decisão pode abrir caminho para uma “discriminação silenciosa”, quando todos mudam de atitude, podendo transformar o gay em um “estranho no ninho”. Daí para o desaparecimento de todas as oportunidades de desenvolvimento e estagnação da carreira é um pulo. Consequentemente, a dispensa sob a antiga justificativa de “falta de perfil” é uma opção real.

No entanto, como frisa o colunista, os homossexuais formam um grupo que tem conseguido cada vez mais respeito, exatamente porque, com o passar dos anos, alguns de seus integrantes assumiram sua homossexualidade e lutaram abertamente pela igualdade de direitos, mesmo correndo riscos. O que vale mais? Correr o risco ou manter uma fachada conveniente?

11 comentários:

MaxReinert disse...

Muito bom texto!
Concordo com tudo o que está escrito aí.
Coloquei um link no NoGhetto!

SOBERBA disse...

Sempre achei que tem mesmo que assumir, mesmo pagando um alto preço por isso, a paz interior que se consegue com a verdade é imensa, a felicidade idem. Tudo se paga um preço, alguns extremamente altos, mas não tem preço maior que viver na mentira.
Ricardo
aguieiras2002@yahoo.com.br

Alice disse...

Acho que depende muito da empresa e da cidade onde se vive. Um homossexual que more numa pequena cidade do interior pode sofrer muito mais se assumindo no trabalho que um que mora na Capital, por exemplo. E a cultura da empresa também influencia muito. Acho que a decisão é mesmo única, pois há muitos fatores envolvidos.

mero disse...

nao vejo motivo para expor o que vc faz na cama no seu trabalho mas é uma opçao pessoal

SOBERBA disse...

Mero,
Desde quando ser homossexual é "o que fazemos na cama"???? o que fazemos na cama é ato sexual, pouco importa se hetero, homo ou bi ou etc. Orientação sexual é outro papo, muito maior que isso...
Meu Deus, até quando vai durar essa confusão? Será que não percebem a armadilha que é nos reduzir a um ato? Isso é fazer o jogo da sociedade heterossexista!
Ricardo
aguieiras20002@yahoo.com.br

Fabiano (LicoSp) disse...

Eu sou totalmente a favor... já sou assumido a vários anos no trabalho e posso garantir que pelo menos no meu caso ajudou muito com o fim dos papos de corredor, afinal vão fazer piadas ou falar mal do que se todos já sabem?!?

Tudo bem que hoje tenho um cargo gerencial e isso tambem ajuda para evitar piadinhas, mas o conquistei mesmo já sendo assumido.

Hj minha equipe de trabalho é composta de 3 amigos gays assumidos o que aumentou ainda + a aceitação e o entendimento dentro da empresa.

abs

Miss X disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Miss X disse...

Passei por um questionamento deste tipo neste fds...
Fomos num barzinho gls e estávamos comentando sobre o povo q entrava (mtas vzs por pura curiosidade) e saía "chocado" logo em seguida qd ela comentou algo como "deve ser como esse q está atrás de vc". Qd olhei decobri q era um rapaz q trabalha comigo acompanhado de uma provável ficante. Pcos minutos antes eu tinha dito para ela sentar do meu lado - oq não aconteceu, ou seja, olhando passávamos por simples amigas. De repente chegou mais um casal para acompanhar meu "colega" e voilá, era mais um rapaz do escritório com a namorada.
Fiquei lá, naquelas, pensando: e aí, mantenho a máscara ou ligo o foda-se? Depois de pensar, liguei o foda-se pq afinal, oq eles tinham a ver com a minha vida? Mas a namorada não ligou, achou melhor não, não quer q eu fique rotulada e tals e ficamos lá como boas amigas até eles irem embora - oq, graças a deus, não tardou...
Claro q agora a dúvida deles a meu respeito pode ter aumentado (pq eu tenho uma foto minha com a namorada no porta-retrato na minha mesa e tds sabem q não somos irmãs rs), mas como chegamos a conclusão, eles não dirão nada, afinal, como explicarão q tb estavam num bar gay sem "ficarem comprometidos"? Como provarão que estavam com ficantes? Pq para me comprometerem, será necessário dizer q o bar era gay, pq se não disserem, ninguém verá maldade em uma garota ir com a amiga em um barzinho no sábado à noite...
Trabalho numa empresa de grande porte, multinacional conhecida e sei como o preconceito ainda que velado, existe. Foram mtos os questionamentos de sábado, gostaria de ter agido diferente, mas vendo a situação hj, acho q agi da forma mais racional...
As coisas não deveriam ser assim! =(
Desculpe o texto grandão, mas precisava comentar...

Gustavo Miranda disse...

Que nada Miss X, vc não precisa pedir desculpa de nada. É óbvio que o discurso militante é "assuma-se", mostre ao mundo que muitas pessoas iguais a você existem por aí, em cada esquina. Mas, é sempre bom lembrar que cada caso é um caso. Respeite os seus limites e não faça nada que possa lhe agredir. E sempre que precisar desabafar, venha por aqui. A gente pode conversar pelos comentários ou, até mesmo, a gente pode trocar e-mails. O meu é gustavojor@gmail.com
Um beijão!

Marcia Paula disse...

Jamais, ninguém tem a nada a ver com isso. Nunca assumi no trabalho e nunca farei tal coisa.

Daniboy disse...

Bom dia a todos, isto esta acontecendo comigo nesse instante, sou Eng de Minas e separei (casanento hetero) a seis meses, hoje moro com um rapaz e estamos namorando, nunca comentei sobre isso com ninguem na empresa mas de alguma forma isso chegou aos ouvidos de meus colegas e a discriminação velada esta acorrendo. A poucos dias meu chefe me chamou para conversar e disse que nao atendo as exigencias da area em que ele gerencia! Nunca tive vontade real de me assuimir para ninguem, mas com essa possibilidade real de discriminação nao sei mais o que fazer! Agradeço a resposta de vcs! Daniel

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