Hoje, o Ministério da Saúde divulgou uma pesquisa que tem dados alarmantes para qualquer pessoa sexualmente ativa: 10,3 milhões de brasileiros já tiveram algum sinal ou sintoma de doenças sexualmente transmissíveis – 6,6 milhões de homens e 3,7 milhões de mulheres. O mais grave é que 18% deles e 11,4% delas não procuraram nenhum tipo de tratamento. Os problemas causados pelas DST podem aumentar em 18 vezes o risco de infecção pelo HIV, que é uma doença ainda sem cura.Existem dados da pesquisa que precisam ser pontuados aqui:
- A proporção de homens sexualmente ativos que declararam corrimento uretral alguma vez na vida foi de 17,3% entre aqueles com grau de escolaridade primário incompleto e de 9,3% entre aqueles com o fundamental completo; A proporção de homens que declararam pelo menos um antecedente de DST alguma vez na vida variou de 14% entre aqueles com maior grau de escolaridade a 22,2% entre os de menor escolaridade. ISSO DEMONSTRA O QUANTO O ACESSO À INFORMAÇÃO PODE MUDAR A CONDUTA DAS PESSOAS;
- Enquanto a maior parte das mulheres que tiveram algum antecedente relacionado à DST procurou, na última vez que teve algum desses problemas, tratamento com médico (99%), aproximadamente um quarto dos homens procurou o farmacêutico; quanto maior o grau de escolaridade, maior a proporção de homens que procuraram um médico. DEIXANDO CLARO QUE O PRECONCEITO EM RELAÇÃO ÀS DSTS DIMINUI À MEDIDA EM QUE A PESSOA TEM MAIS INFORMAÇÃO;
- Pessoas residentes em áreas urbanas têm chance 28% maior de ter algum antecedente de DST do que aquelas residentes em zonas rurais;
- O fato de ter alguma relação sexual com parceiro do mesmo sexo mais do que dobra a probabilidade de ter tido algum sinal relacionado à DST. DADO QUE COLOCA, MAIS UMA VEZ, A POPULAÇÂO HOMOSSEXUAL EM MAIOR VULNERABILIDADE. AINDA NÃO VI UMA EXPLICAÇÃO CONVINCENTE PARA ISSO;
- Indivíduos com mais de um parceiro na vida têm 37% mais chance de ter pelo menos um antecedemte relacionado à DST. Os que já tiveram mais de 10 parceiros na vida têm chance 65% maior de ter sinal ou sintoma de DST
- O levantamento do Ministério da Saúde traz outro dado preocupante: a automedicação. O mau hábito predomina entre os homens. Enquanto 99% das mulheres que procuram tratamento recorrem primeiro a um médico, 1/4 dos homens busca solução no balcão da farmácia. Entre eles, quanto menor a escolaridade, maior é o percentual de quem recorre à prática não recomendada.
- O tratamento para as DST é simples e está disponível para toda a população no Sistema Único de Saúde (SUS). A maior parte delas tem cura, com exceção do herpes e do HPV.
Gonorreia>Ardor ao urinar, coceira, corrimento uretral espesso e amarelado. Na mulher, pode apresentar corrimento ou ser assintomático>No homem: esterilidade. Na mulher: doença inflamatória pélvica e infertilidade
Sífilis/Cancro duro>ferida única indolor, sem pus que desaparece em pouco tempo>Lesões avermelhadas na pele, principalmente na palma das mãos, planta dos pés e dorso. Na fase tardia, pode evoluir com lesões neurológicas, ósseas e cardiovasculares, caracterizando neurossífilis. Na gestante, pode evoluir para a transmissão vertical se não houver tratamento conjunto da mãe e do parceiro, levando o recém-nascido à sífilis congênita.
Herpes simples genital>Ardor, coceira, dor, bolhas e depois feridas>Infecção no sistema nervoso (meningite/encefalite).
Tricomoníase (corrimento)>Corrimento amarelo esverdeado, com bolha, odor desagradável, ardência na relação sexual (às vezes acompanha coceira na vulva)>No homem: inflamação na próstata e no epidídimo. Na mulher: doença inflamatória pélvica.
Clamídia (uretrite não gonocócica, cervicite, doença inflamatória pélvica)>Geralmente assintomática, pode apresentar corrimento de cor clara e mucoide (parece uma clara de ovo), raramente purulenta> No homem: esterilidade. Na mulher: doença inflamatória pélvica e infertilidade.
HPV (crista de galo, condiloma acuminado, figueira, verrugas, ficus e thymus)>Os sintomas podem não se manifestar. Nos homens, quando aparecem, apresentam-se na forma de pequenas verrugas no pênis, ânus e boca. As mulheres podem não perceber as verrugas na região interna da vagina e colo do útero, mas os sinais podem aparecer também na vulva, vagina, períneo, ânus e boca>Dependendo do subtipo de HPV, pode ocorrer no homem câncer de pênis e ânus
Na mulher: câncer de colo uterino, de vulva e ânus.
Metodologia – A Pesquisa sobre Conhecimento, Atitudes e Práticas Relacionadas às DST e Aids na População Brasileira de 15 a 64 anos foi realizada por técnicos do Ibope em todas as regiões do país, em novembro de 2008, com 8 mil entrevistados. A amostragem foi estratificada por macrorregião geográfica (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste) e situação urbano/rural. A análise dos dados foi feita pela equipe técnica do Departamento de DST e Aids do Ministério da Saúde, com o apoio do Centro de Informação Científica e Tecnológica (LIS/CICT) da Fundação Oswaldo Cruz.

2 comentários:
Acredito que uma explicação possível para o fato de os HSH dobrarem as chances de desenvolverem DST tem ligação com diversos fatores: quanto maior o número de parceiros, maior a probabilidade. Quando se fala de homens, com relação às mulheres, a probalibidade é maior porque homens se cuidam menos. Quer vc queira, quer não, existe muito mais envolvimento sexual entre gays que relacionamentos afetivos, levando a pessoa à promiscuidade. Isso não acontece por ser uma característica gay, mas porque sexo casual dá pra esconder e relacionamentos dão mais trabalho. Isso é algo q a sociedade nos nega: é mais fácil ser um viado que trepa sempre que tem vontade, sem ter de pagar o preço por se mostrar a ser um viado certinho, com um relacionamento estável. Daí você soma o lance de dar pra caras diferentes, junto com o fato de serem homens, junto com o lance de o sexo anal ser mais sensivel, junto com o lance de gay ter sexo oral como algo fundamental (e ninguém chupa de camisinha). Além disso, a população gay é menor q a heterossexual – então, o número d infectados tende a ser maior proporcionalmente nos gays q nos heteros
(comentário do amigo Duda, que não tem contas do Google para assinar)
Informação nunca é demais, mas temos que tomar alguns cuidados para não cair em moralismos. Há homossexuais masculinos de todos os tipos, há os promíscuos e os não , há os que fazem HSH e nem sabem que são homossexuais.
Informação nunca é demais, mas é preciso viver. E viver envolve riscos, a vida é fatal! Penso também que cabe cada indivíduo decidir como deve conduzir seu corpo, o corpo é um Direito inalienável e o Estado - mesmo sob as mais variadas desculpas - não pode intervir. Informar, sim, afinal a medicina preventiva é muito bem paga para isso, neste país dos mais altos impostos do mundo. Mas escolhas devem ser respeitadas. Sempre vejo esse excesso de pesquisas na área de saúde como um elemento controlador da sociedade de controle. Não precisa tanto, tantas pesquisas, todas pagas com dinheiro público. A Educação, esta sim, fator primordial, deveria começar em casa e depois nas escolas, pouparia tanta pesquisa...
Ricardo
aguieiras2002@yahoo.com.br
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