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a gente gosta é de incluir

10/07/2009

Na buatchy, a gente caça companhia, afeto, amores ou animais?

Durante uma entrevista ao jornal So Foot, em julho de 2006, o sargento Graham Naughton, especialista em hooliganismo na Footbal Intelligence Unit, admitiu que “quando se tratam os torcedores como animais, eles acabam por se comportar como animais”. Hoje, vou tentar fazer uma analogia entre essa frase e a dinâmica da conquista entre homossexuais, a famosa “paquera na buatchy”, dizendo: quando se tratam os gays como animais, eles acabam se comportando assim. Nada de falar que agem como bichas, ok?

A “paquera na buatchy” pode ser interpretada como uma caça simbólica que substitui a caça de sobrevivência dos primitivos, a caça esportiva dos séculos seguintes e a caça sangrenta das arenas antigas. Há vários elementos comuns entre essas práticas e a pegação na “buatchy”: a estratégia inicial, a tática durante a atividade, a cooperação necessária, o perigo que correm os participantes, a perseguição ao animal (a meta), a concentração e a energia requeridas, a habilidade específica e a imaginação rápida, o sangue-frio, a visão e a mira, a motivação e a bravura.

A troca de olhares que antecipa esse conjunto de estratagemas e culminam no jogo da conquista evidenciam a guerra, onde atacam adversários e suas presas. Trata-se de uma caçada recíproca, na qual cada indivíduo ou bando, ao mesmo tempo, tenta impedir a morte simbólica de sua presa, conquistando-a. Os espectadores (amigos da presa e do caçador) sentem-se coparticipantes dessa atmosfera tribal, realizando o esforço físico de estimular, sob sol, chuva, ou na fumaça causada pelo gelo seco, a cerimônia da conquista.

É possível perceber, com isso, que existe um universo de mitos e ritos que tangenciam a conquista. Vale a pena lembrar as explicações de um dos grandes nomes da antropologia estrutural, o francês Lévi-Strauss, cuja primeira grande contribuição para as ciências sociais é a análise dos mitos. Um mito não existe isoladamente, ele está relacionado a outros. A sua interpretação somente se torna possível quando é construída a partir de grupos de mitos que lhes são próximos. Os fatos devem ser analisados não como uma série de acontecimentos unidos. São elementos repetitivos, recorrentes, que permitem demonstrar que o “sistema” comporta relações lógicas e interdependentes.

As sociedades ocidentais contemporâneas perderam o efeito tranquilizante do grupo, dos ritos sociais, do mito. Para o ser humano, o “estar junto afetivo” é sensação sempre reconfortante, e negada quando ele está inserido em conjuntos demasiado amplos e abstratos, como megalópoles, empresas multinacionais, enormes universidades ou uma boate com capacidade de receber mais de 3 mil pessoas, como acontece aqui em São Paulo. Daí ser cada vez maior o número de pessoas que recorrem a medicamentos ansiolíticos. Porque assim: se eu não consigo nem paquerar direito, que consiga ao menos fugir da depressão. Calminho, calminho.

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5 Comentários:

Às 10 de julho de 2009 22:26 , Blogger Diego Brito diego.botadentro@yahoo.com disse...

Guga, você conseguiu reunir Lévi-Strauss e pegação na "buatchy" no mesmo post; eu tenho medo de você!

 
Às 11 de julho de 2009 09:04 , Blogger hique disse...

"ou na fumaça causada pelo gelo seco" foi oootimo!! kk

 
Às 11 de julho de 2009 09:42 , Blogger O VIADO E A TRANSGRESSÃO POÉTICA disse...

Ummmmm, apenas achei que você deveria ter se aprofundado um pouco mais, você termina de repente... Anfan, sinal de bom texto; a gente fica querendo mais... espero, portanto, que você retorne ao tema.
Uma coisa interessante: Se um espaço é criado para gerar conforto, uma reunião de pessoas, um "ajuntamento", por que está acontecento é o contrário? ...ou seja, mais ódio, mais vaidade, mais disputa, menos pertença e solidariedade?
Ah, que merda escrota de ingênuo romântico eu sou/era, não? acreditava piamente que a homossexualidade iria mudar o mundo, nunca se encaixar de forma tão perfeita em todos os seus infernos...
Beijos,
Ricardo
aguieiras2002@yahoo.com.br

 
Às 13 de julho de 2009 21:45 , Blogger uomini disse...

Nunca mais vou caçar na *buati* da mesma forma. Mesmo! Já imaginei a cena: algum sintético batendo na minha cabeça e a imagem de Lévi-Strauss, como um fatasminha, me dando conselhos enquanto armo o bote. Ah, e o texto tah no tamanho exato, num ritmo super adequado para um blog e termina como um rodopio na pista de dança. *AHAZOU*! ;-)

 
Às 13 de julho de 2009 23:26 , Blogger Alexandre Lucas disse...

Jogo marcado...

 

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