
A Suprema Corte do Estado da Califórnia impôs uma das mais drásticas derrotas à comunidade homossexual dos últimos anos, hoje, ao anunciar que ratificou o banimento dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo no Estado. A corte ratificou a Proposition 8, um referendo realizado nas eleições estaduais da Califórnia que eliminou o direito dos casais formados por pessoas do mesmo sexo de contrair matrimônio. A aprovação desse artifício modificou a Constituição do Estado, estabelecendo que apenas os matrimônios entre homens e mulheres sejam válidos no Estado.
A decisão divulgada hoje, no entanto, preserva os 18 mil casamentos que foram celebrados enquanto não existia essa delimitação. A decisão foi escrita pelo presidente da Suprema Corte estadual, Ronald M. George, e diz que os casais formados por pessoas do mesmo sexo ainda possuem a possibilidade de escolher o parceiro de uma vida e apelar a procedimentos para oficializar a união e proteger os direitos das famílias que são formadas nesses compromissos. O que os magistrados decidiram, no entanto, é que isso não pode ser chamado de casamento.
As reações dos membros da comunidade LGBT da Califórnia protestando contra a decisão começaram poucos minutos depois da divulgação do documentos, às 10h do horário local. Agora, resta aos apoiadores do casamento gay planejar uma outra eleição, nos mesmos moldes da Proposition 8. Um dos maiores grupos de apoio à diversidade sexual da Califórnia, o Equality California, enviou um e-mail para seus afiliados, pedindo contribuições (são necessários cerca de US$ 500 mil), para que possam fazer uma campanha massiva para que o assunto seja discutido e possa vencer nas eleições.
O referendo Proposition 8 foi promovido pela religião mórmon e pelos Knights of Columbus (Cavaleiros de Colombo, uma instituição super conservadora, católica, que ajuda muitas pessoas em situações difíceis, viúvas). Os Cavalheiros, portanto, são tidos como muito benemerentes.
Vou usar uma frase do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vi na revista Época, para terminar a reflexão acerca desse triste episódio: "Porque, na hora de pagar imposto, ninguém quer saber se o sujeito é homossexual ou travesti. Na hora de votar, nunca vi um candidato chegar na fila e dizer: 'Olha, eu não quero o seu voto”. O discurso do presidente mostra que tanto aqui, quanto nos Estados Unidos, os gays podem se juntar e viver amontoados, mas não poderão jamais ser classificados como união familiar. Assim não dá.

6 comentários:
E o mundo REGRIDE... mais uma vez...
Era de se esperar...
***
que pena... acho que a grande derrota mesmo foi a do referendo, no qual os próprios habitantes do estado foram contra o casamento gay. não sei se a justiça da califórnia podia ir contra isso...
Quanto retrocesso.....
Mais uma vez são os gays os bodes expiatórios da cultura cristã.....
Fico triste, absurdamente triste e um tanto perplexo. Vem a sensação de que tanta luta não está adiantando. Penso que nossos maiores inimigos, no mundo, são as religiões fundamentalistas e o machismo. Tem algo muito errado aí, precisa se rever, também, os meios em que estamos lutando. Outra coisa: Ok, estamos dentro dessa sociedade e vivemos nela. Mas precisamos resgatar, talvez, alguns ideais romanticos do inicio do Movimento, quando, um deles, seria usarmos a nossa homossexualidade e o nosso amor na construção de um novo mundo. Porém, isso hoje é contraditório em mim, penso que nem mesmo a homossexualidade teria essa força.
Estou triste, apenas.
Beijos,
Ricardo
aguieiras2002@yahoo.com.br
UM ABSURDO!!!
Postar um comentário
Aqui é o espaço para comentários. Vale tudo, menos se esconder atrás de anonimato. Quer falar (bem ou mal)? Identifique-se!