[Diego Brito e Gustavo Miranda]
Como transformar a história de um homem que perdeu repetidas vezes na política até conseguir ganhar uma eleição em algo interessante? Pergunte ao diretor Gus Van Sant. Certamente ele saberá explicar. E ele não estará falando da história de Lula. E sim de Harvey Milk, o primeiro ativista gay dos Estados Unidos a vencer uma eleição defendendo a causa da igualdade de direitos para gays e lésbicas. Com este enredo, “Milk – A voz da igualdade” foi confirmado, na quinta-feira, como um dos grandes favoritos a levar o Oscar.
Ameaça vencer em oito categorias: Melhor Filme, Melhor Ator Principal (Sean Penn), Melhor Ator Coadjuvante (Josh Brolin), Melhor Roteiro Original, Melhor Figurino, Melhor Edição, Melhor Diretor (Gus Van Sant) e Melhor Trilha Sonora Original. A fita tinha tudo para ser chata ou panfletária – de um lado pelo viés político e, de outro, por de alguma maneira levantar a bandeira dos direitos civis dos homossexuais. Mas, não é o caso.
Milk relata a história de Milk ainda executivo de Wall Sreet, que deixou para trás tudo, com o objetivo de viver uma vida fora do armário, em San Francisco. A fita apresenta o ativista, suas histórias amorosas (fracassos, na maioria das vezes) e sua luta pelos direitos civis da comunidade gay, com a ajuda de apoiadores e agentes fundamentais em suas campanhas como Cleve Jones (Emile Hirsch), Anne Kronenberg (Alison Pill), Dick Pabich (Joseph Cross), Jim Rivaldo (Brandon Boyce), Michael Wong (Kelvin Yu), o fotógrafo Danny Nicoletta (Lucas Grabeel), entre outros.
Logo no início do filme, o roteiro desvenda perfeitamente qual o futuro da liderança. Ele foi assassinado (em 1978). O emocionante do filme, contudo, não é apenas contar a história real de pessoas de maneira esteticamente perfeita. O que emociona é ver os bastidores de uma causa popular, entender como o movimento gay conseguiu se unir e ser ouvido nos Estados Unidos – principalmente em dias atuais, após a polêmica votação da Proposição que bane o casamento entre pessoas do mesmo sexo na Califórnia (a Prop. 8).
Harvey Milk conseguiu superar o preconceito ainda dominante na época e uniu, com sua atuação política, “facções” diferentes de homossexuais. Ele ouviu o que as ruas lhe diziam, tendo um papel de destaque na banição da Prop. 6, que defendia que os professores gays fossem demitidos das escolas públicas. Por isso mesmo, é importante se questionar: poderia a obra ter ajudado a barrar a Prop. 8, caso tivesse sido lançada antes? Nesta semana, periódicos tão diferentes como People, Newsweek, Esquire e The New Yorker analisaram Milk. Mais um sinal de que ele é mesmo um grande favorito ao Oscar. Pena que só estreie aqui em fevereiro (veja aqui um ótimo slideshow do filme).
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3 comentários:
Perdi umas pré-estréias aqui por pura desinformação, mas estou bem curioso pra assistir.
Sabe que existe um documentário sobre o Harvey Milk? Está em cartaz em homenagem ao filme.
estou louco para ver esse filme, já que brokeback mountain nao levou o oscar, milk bem que merecia.
fala sério né? Com tanta coisa boa voce acha que vou torcer por isso só porque é sobre gay?
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