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24/11/2009

20/11/2009

Lésbicas: escritoras brasileiras

Um bate-papo sobre as escritoras lésbicas brasileiras de ontem e hoje. É o que promete o encontro promovido pelo site Livre Arbítrio e pela Editora Malagueta, que acontece amanhã (dia 21), às 16 horas, na Livraria Cultura (no Conjunto Nacional, em São Paulo - Avenida Paulista, 2073).

Em pauta, desde as primeiras escritoras que abriram caminho para o tema, como Cassandra Rios e Herzer, passando pelas que ousaram publicar obras sem pseudônimos, como Valéria Melki Busin, Fátima Mesquita e Vange Leonel, até as editoras que abriram espaço para o movimento, como Edições GLS, Brasiliense, Record e Malagueta. Isso tudo sem esquecer dos sites que reservam espaço para a publicação de textos de lésbicas, como Xana In Box, Fator X, abcLES, Parada Lésbica, Dykerama e Livre Arbítrio.

Integram a mesa de literatura lésbica, as escritoras Karina Dias e Mariana Cortez, as poetisas Fênix, Luka Azul e Érika Cristina (idealizadora do Livre Arbítrio) e Laura Barcellar (editora responsável pela Malagueta).

18/11/2009

Bárbara Paz, o sexo e a metrópole

Bárbara Paz não está em cartaz apenas na novela da Globo, Viver a Vida. A atriz também dá o ar de sua graça aqui no Bota Dentro. No curta Sexo e a Metrópole, ela interpreta Flavia, uma produtora de moda que tem um encontro com a fotojornalista Cláudia, vivida por Patrícia Coelho.

O filme fala de desejos e carências que brotam entre os prédios e avenidas de São Paulo. Com direção de Fred Avellar, a produção tem 10 minutos e participou do Festival Mix Brasil de 2004.


15/11/2009

É tempo de cinema e diversidade

Está em cartaz até o dia 22 de novembro, em São Paulo, a 17ª edição do Mix Brasil, o maior fórum de cinema LGBT da América Latina e uma das mais importantes vitrines para produções alternativas no Brasil. Com várias mostras, o evento reúne longas e curtas (nacionais e internacionais) e é uma excelente oportunidade de acompanhar a produção de filmes que tratam da diversidade sexual.

Como reproduzir a programação aqui ficaria longo demais (basta ir no site do Mix Brasil para encontrar detalhes dos filmes) vou destacar apenas uma pequena parte do festival.

Na categoria Curta Mix Brasil, há uma mostra que é totalmente dedicada às meninas. O Mapa das Minas (dia 18, às 17 horas, no cine Olido) traz cinco produções, entre elas o filme O Móbile, que já foi divulgado no Bota Dentro (em junho deste ano), com direito até a uma entrevista com a diretora do filme, Lilian Werneck.

Para quem não viu naquela oportunidade ou não conseguirá acompanhar a exibição no Mix Brasil, a gente mostra novamente.



12/11/2009

Direito Homoafetivo

As advogadas Maria Berenice Dias (ex-desembargadora do Rio Grande do Sul e hoje uma das maiores especialistas em direito homoafetivo do País) e Marianna Chaves (diretora do Núcleo de Relações Internacionais do Instituto Brasileiro de Direito de Família – Seção PB) juntaram num único espaço virtual (www.direitohomoafetivo.com.br) tudo o que já foi deferido a homossexuais e transexuais.

No portal é possível encontrar jurisprudência, projetos de lei, bibliografia e artigos nacionais e estrangeiros. Sem leis, o caminho para as conquistas é a Justiça.

Aproveite e confira artigo das duas advogadas.


Consolidando conquistas
Por Maria Berenice Dias e Marianna Chaves

Para que servem as leis? Todo mundo sabe que servem para reger a vida em sociedade. Mas, certamente, sua finalidade mais significativa é assegurar o tão propalado princípio da igualdade. Ou seja, a lei é indispensável para proteger os segmentos mais vulneráveis. Talvez seja este o seu escopo maior.

Todavia, não atentam os legisladores para esta responsabilidade enorme, ao se omitirem de criar regras que, se destinem a inserir no âmbito da tutela jurídica quem é alvo da exclusão social.

O estágio presente da estrutura social se traduz no que se vem chamando de modernidade líquida. Distintas formas de expressar e vivenciar o afeto, diferentes maneiras de compartilhamento de vida emergem e demandam reconhecimento.

Por muito tempo, as relações de pessoas do mesmo sexo foram estigmatizadas, restando homossexuais e transexuais confinados num universo paralelo, marginalizados. Todavia, nos últimos anos a sociedade vem se mostrando um tanto mais tolerante e, paulatinamente, vem modificando a sua forma de encarar as relações entre iguais. Os homossexuais começaram a adquirir visibilidade e foram buscar a Justiça.

Infelizmente, a postura omissiva de quem tem o dever de fazer leis é histórica. Basta lembrar o calvário sofrido para o divórcio ser inserido no sistema jurídico. Apesar dos reclamos sociais, passaram-se 27 anos para que o Congresso Nacional acabasse com a indissolubilidade do casamento. Tal fato também se deu com as uniões extramatrimoniais e a filiação chamada de ilegítima. Falsos moralismos e preconceitos infundados impediam o seu reconhecimento.

Ainda bem que o silêncio do legislador não cala a Justiça. De há muito vêm os juízes reconhecendo que a falta de leis não significa ausência de direitos, Assim acaba a jurisprudência tamponando as lacunas da lei e ditando pautas de conduta, que passam a guiar a vida em sociedade.

A atividade legiferante que deveria ser exercida pelo Legislativo, acaba sendo preenchida pela jurisprudência. Não poderia ser diferente! Em face da enorme preocupação de não cometer injustiças, a justiça avança, construindo novos paradigmas. Mas a via judicial é demorada, quer porque a jurisprudência custa a se cristalizar, quer porque as decisões, ainda que reiteradas, não têm efeito vinculante.

Os avanços, no entanto, não suprem o direito à segurança jurídica que só a lei outorga. Daí a urgente necessidade de inserção das uniões que passaram a ser chamadas de homoafetivas no sistema jurídico. O silêncio é a forma mais perversa de exclusão, pois impõe constrangedora invisibilidade que afronta alguns dos mais elementares direitos, como o direito à cidadania e à dignidade, base de qualquer Estado que se diga Democrático de Direito.

Para a consolidação das diretrizes ditadas pelo Judiciário há outro obstáculo que se revela quase intransponível: a inacessibilidade dos julgamentos e a falta de prestígio das decisões de primeiro grau. Apesar de todo o avanço tecnológico, a busca pela jurisprudência é uma tarefa praticamente irrealizável. Seja pela falta de um sistema de informação unificado, seja pela má qualidade dos servidores dos Tribunais, as pesquisas são inviáveis e, no mais das vezes, mal sucedidas.
Por incrível que possa parecer não há como saber como julgam todos tribunais deste país. As tentativas são frustrantes e exasperantes, e os resultados, na maioria dos sites dos tribunais, são nulos.

Quando se trata de questões referentes ao direito das famílias, então, as dificuldades só aumentam. Sob a equivocada alegação de que as demandas tramitam em segredo de justiça, as decisões simplesmente não são disponibilizadas. Um singelo ato, como a exclusão do nome das partes é suficiente para preservar eficazmente as identidades e privacidade das mesmas.

Todos estes percalços é que motivaram a construção de uma ferramenta poderosa de busca e acesso a material relativo à homoafetividade e transexualidade: www.direitohomoafetivo.com.br. Indispensável saber tudo o que a justiça já assegurou a homossexuais e transexuais. Trata-se de um projeto arrojado, cujo trabalho foi árduo e contou com a colaboração entusiasmada de muita gente. Os resultados foram surpreendentes. Basta atentar que já no ano de 1980 foi deferida a troca de nome de transexuais e desde 1989 a Justiça Federal concede direito previdenciário a parceiros do mesmo sexo.

Mas há mais, muito mais. Data do ano de 1998 a primeira sentença deferindo a adoção homoparental. O surpreendente é que há decisões de todos os Estados, já chegando a quase setecentos o número de sentenças e acórdãos inseridos no banco de dados.

Não foram olvidados os projetos de leis em tramitação, as normatizações existentes, além de exaustivo levantamento bibliográfico tanto nacional como internacional. Igualmente está disponível a legislação e a jurisprudência estrangeiras mais significativas, pois a preocupação com a regulação das uniões homoafetivas integra a agenda do pensamento jurídico mundial. Hoje, muitos países do mundo não mais ignoram os vínculos homoafetivos, que deve servir de exemplo.

A razão de ser de todo este trabalho não é só capacitar os profissionais a trabalharem com este novo ramo do direito. É muito mais consolidar as conquistas e mostrar que o Judiciário não é cego e tem coragem de fazer justiça.

08/11/2009

Eu te amo

A última vez que escrevi aqui (nossa, já faz 20 dias) foi justamente para falar do casal Callie e Arizona, as médicas/namoradas do seriado Grey's Anatomy. No texto, eu apostava no crescimento do espaço da dupla na história narrada na maior parte do tempo dentro do Hospital Seatle Grace. E, felizmente, parece que minhas expectativas estão se confirmando.

Se no quinto episódio da sexta temporada o destaque ficou com Callie e o conflito vivido com seu pai por causa do namoro com a charmosa e loiríssima Arizona, no mais recente capítulo foi Arizona quem roubou a cena. Ao perder um paciente, um menino de 10 anos, que há dois era tratado por ela, é no amor de (e por) Callie, que a ela reencontra seu equilíbrio.

Para quem curte e acompanha essa série (que eu adoro, aliás), aqui o oitavo episódio (com legendas, o que é ótimo) completo. Só mesmo assistindo até o fim, para ouvir a frase do título desse post.

28/10/2009

Uma dica de leitura

Ontem, recebi o release do amigo João Marinho sobre o projeto Literatura Homoerótica, no Espaço Entre Homens, da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. Vou reproduzir:

"Jean Genet, Marquês de Sade, Anne Rice, Bernardo Carvalho, Raul Pompeia, Adolfo Caminha, João Silvério Trevisan. O que une autores tão diferentes, de países tão distantes e de épocas tão diversas?

A resposta é o homoerotismo. Tensão, sedução, prazer, sexo entre homens – ou mulheres. Mas o que define uma obra como homoerótica? E no que isso interfere em sua qualidade?

Essas obras refletem parte do universo gay ou são visões deturpadas, idealizadas ou irreais que pessoas de outras orientações sexuais têm sobre as relações entre iguais?

Venha debater com a gente, conhecer obras, autores, gêneros e histórias e, quem sabe, ser tentado a ler um pouco mais!

Com exposição e consulta de parte do acervo bibliográfico da APOGLBT!

Quando?
29/10/2009, quinta-feira, às 19h

Onde?
Praça da República, 386 - Sala 22 – Centro, São Paulo
Fonte: (11) 3362-8266

Quem?
Homens, mulheres, travestis, homos, héteros, trans, bis, tris, múltis, letrados e iletrados."

19/10/2009

Ela não é vegetariana

Callie Torres e Arizona Robins são médicas e trabalham no fictício Seattle Grace Hospital, onde se desenvolve toda a trama de Grey’s Anatomy, seriado americano da rede ABC. A primeira é ortopedista, enquanto a outra é pediatra. Ambas são apaixonadas pelo que fazem, mas na história vivem mais do que o amor pela medicina.

Desde a quinta temporada (a sexta temporada da série começou a ser exibida nos Estados Unidos em setembro) Callie e Arizona vivem um romance, que deve ganhar força nos próximos episódios. Apesar de protagonizarem pouquíssimas cenas explícitas de carinho e beijos até agora, a história das duas ganhou destaque no último capítulo, quando o pai de Callie voltou a procurá-la em mais uma tentativa de dissuadi-la de sua orientação sexual.

Para aqueles que nunca assistiram um episódio de Grey’s Anatomy, um breve resumo: Callie sempre foi louca por homens e chegou a se casar com um médico. Quando tudo ficou diferente na vida da médica, seu pai não aceitou e acabou rompendo com a filha. No quinto episódio da sexta temporada, ele leva até um padre para tentar convencer a doutora a desistir de ser gay (como se isso fosse possível). “Eu temo por você. É uma abominação. Eternidade no inferno”, argumenta.

As coisas entre pai e filha vão de mal a pior, até que Arizona entra em cena. No final, quando os dois finalmente conseguem se entender, ele chega a perguntar a Callie se ela será capaz de dar um casamento e netos à sua mãe, se tudo der certo entre ela e Arizona. Para fechar com chave de ouro, o pai demonstra sua última preocupação com o assunto: “Ela (Arizona ) não é vegetariana, é? Porque não sei o quanto mais posso aguentar”. “Não, ela não é vegetariana”, responde Callie e alivia o pai.

No vídeo, um breve resumo das duas lindas médicas e namoradas de Grey’s Anatomy. Independente do romance lésbico, o seriado vale muito a pena. Fica aqui a dica.


14/10/2009

Estafa, estresse e armário...

Sim. Estou em crise de produção bloguística. Espero que esse período "carmico" passe logo. Enquanto isso, vale a reflexão com um trecho tirado do espetáculo "Avenida Q", que está em cartaz no Teatro Procópio Ferreira, aqui em São Paulo. Fui ver, pois ganhei um par de ingressos da produção do espetáculo por escrever esse blog para o público gay. Quando eu devo respeitar o isolamento do armário alheio? Pensemos a respeito.


01/10/2009

Quanto dura o amor estreia em SP

O filme Quanto dura o amor? (já publicado aqui) estreia amanhã (dia 2), em São Paulo. Com direção de Roberto Moreira, o roteiro tem um romance lésbico e uma transexual.

O longa-metragem conta a história de Marina, que se encanta pela cantora Justine; de Suzana, uma advogada solitária que começa a namorar o colega Gil; e de Jay, o escritor de um livro só que escolhe a prostituta Michelle como musa. No roteiro, os personagens vivem a euforia da paixão, mas também seu outro lado.

Silvia Lourenço e Maria Clara Spinelli (premiadas no Festival de Paulínia de Cinema), Fábio Herford, Danni Carlos (que toca e canta umas músicas bem bacanas - algumas podem ser ouvidas no site do filme), Paulo Vilhena, Gustavo Machado e Leilah Moreno integram o elenco.

Programação até 8 de outubro
Espaço Unibanco Augusta e Frei Caneca Unibanco Arteplex (14h/16h/18/20h/22h), HSBC Belas Artes (15h/17h/19h/21h – sábado sessão extra às 23h), Jardim Sul (13h45/15h35/17h25/19h15/21h05- sábado sessão extra às 23h15), Marabá (14h45/16h45/18h45/20h45), Reserva Cultural (13h20/16h45/20h10/21h50), Villa-Lobos (16h30/18h25/20h20/22h20 – sábado e domingo sessões extras às 11h20




29/09/2009

Estatuto prevê família homoafetiva

Muito se fala a respeito do PLC 122/06, que tramita no Congresso Nacional e que pretende criminalizar a homofobia. Mas esse não é o único projeto que circula pelas mesas dos parlamentares em Brasília que devemos ficar de olho. Uma outra proposta, apresentada pelo deputado Sérgio Barradas Carneiro (PT/BA), merece toda a nossa atenção. Trata-se do Projeto de Lei 2285/2007, que cria o Estatuto das Famílias (só para aproveitar o clima deixado pelo post anterior Gay é gente da gente).

Elaborado pelo Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFam), reúne os direitos das configurações familiares baseadas principalmente na afetividade. O projeto amplia (e muito) o conceito de família (tal e qual a propaganda da Sadia que fala “em plural de gente”) e prevê, entre outras coisas, a família homoafetiva.

Em seu texto trata, por exemplo, da união homoafetiva (artigo 68), assegurando entre outros direitos, a adoção de filhos. Garante também o direito do reconhecimento ou da dissolução da união homoafetiva (artigos 164, 254 e 255).

O projeto sustenta que em momento algum a Constituição veda o relacionamento de pessoas do mesmo sexo. “A jurisprudência brasileira tem procurado preencher o vazio normativo infraconstitucional, atribuindo efeitos às relações entre essas pessoas. Ignorar essa realidade é negar direitos às minorias, incompatível com o Estado Democrático”.

Só para ressaltar o quanto estamos atrasados no Brasil, o Uruguai passou a ser o primeiro país latino-americano a aprovar legislação que permite a adoção de crianças por casais homossexuais. A nova regra está prevista no Código da Infância e Adolescência do país, cuja reforma foi aprovada neste mês pelo Senado. A aprovação ocorreu mesmo com a rejeição da Igreja Católica.

A regra ainda precisa passar pela sanção presidencial para entrar em vigor. Aprovada por 17 dos 23 senadores presentes (ao todo são 30), a nova lei não se refere diretamente aos direitos dos homossexuais, mas autoriza a adoção de crianças por casais com união civil, que passou a ser reconhecida entre pessoas do mesmo sexo em 2008, após aprovação dos parlamentares.

Enquanto isso, por aqui, os parlamentares continuam dando seguidas demonstrações de preconceito e insistindo na velha discussão do pode ou não casar (quando a questão é muito mais ampla). Assim, desviam o foco daquilo que de fato interessa: existimos e queremos ser reconhecidos como parte dessa imensa sociedade tão cheia de plurais.

24/09/2009

Gay é gente da gente

Lembra daquele modelo da família consagrado nos comerciais de margarina? Aquele do pai provedor, da mãe zelosa e dos filhos submissos à vontade dos dois? Pois é, as famílias mudaram. A gente não vai, aqui, lançar o debate em torno do funcionamento delas: se elas não funcionam mais, se funcionam assim ou assado. As novas configurações das famílias brasileiras mostram que existe diversidade.

O desafio é a gente reunir todas essas diferenças na rubrica 'família'. É preciso mostrar que há outras famílias, formadas muito mais pelo afeto. É muito diferente de uma época em que você tinha uma família por causa do status social. No mundo inteiro, hoje, há mais liberdade, leis que permitem que as pessoas casem de novo, que gays adotem crianças - que ainda não vigora muito bem por terras brasileiras. Esse cenário mostra novos contornos da sociedade e como as novas famílias ganham credibilidade.

Em uma entrevista concedida a mim, no ano passado, a psicóloga Anna Paula Uziel apontou para uma mudança social grande, devido à entrada da mulher no mercado de trabalho. É uma mistura de coisas: a possibilidade da maternidade tardia, aceitação maior da profissionalização da mulher.

Segundo ela, isso muda completamente a idéia de formação da família. As relações ficam mais igualitárias e, com isso, há também uma entrada diferente dos pais em relação à paternidade. Todas essas mudanças foram preparando o terreno para a vinda das famílias não convencionais. E, nesta semana, uma campanha publicitária da Sadia traz um conceito super inovador: “Família é como um plural de gente!”, prega uma linda garotinha.

O filme publicitário começa explicando que a clássica definição de família é a de um grupo de pessoas unidas por lanços de sangue. Logo em seguida completa: mas na vida real não é bem assim. Afinal, a gente - gay - é também um plural de gente.


23/09/2009

Ele estupraria; mas é brincadeira


No início, era para ser apenas uma crítica, como outra qualquer, à competência do ministro Carlos Minc (Ambiente). Mas, passou dos limites o linguajar do governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (acima), que chamou Minc de "veado" que "fumava maconha". O ato mais grave do governador - um dos maiores representantes dos latifundiários do País - foi ter afirmado que "ia correr atrás dele e estuprá-lo em praça pública", caso o ministro fosse a Campo Grande (MS).

Nesta terça-feira, Minc deu mais um capítulo ao show dos horrores iniciado pelo governador. Segundo ele, Puccinelli deveria analisar melhor o homossexual que há dentro dele. As aspas são muito boas e foram publicadas na Folha Online: "Ele [Puccinelli] deve fazer uma análise mais profunda da declaração dele sobre o estupro em praça pública e examinar e tratar com mais carinho o homossexualismo que existe dentro dele próprio e talvez aceitar isso com mais razoabilidade", disse Minc.

Em outras palavras, o ministro - elegantemente ou não - mandou o governador do MS sair do armário e liberar o homossexual que existe dentro dele. Seguem mais aspas: "O Freud [Sigmund Freud, psicanalista] explica que muitas pessoas que têm o homossexualismo enrustido tentam matar o homossexual que há dentro dele próprio. Eu sou um defensor conhecido dos direitos dos homossexuais contra todos os preconceitos". Minc (ao lado) disse que não pretende entrar com uma ação na Justiça contra Puccinelli.

Na terça-feira, o governador de Mato Grosso do Sul pediu desculpas em nota a Minc. "Quaisquer outros desdobramentos devem ser entendidos como inapropriados e, na hipótese de terem gerado ofensa ao ministro, o governador do Estado de Mato Grosso do Sul apresenta seu pedido de desculpas", diz a nota.

A mesma reportagem da Folha Online traz uma nota em que Puccinelli afirma que suas palavras foram mal interpretadas como ofensivas. "[...] Lamenta a conotação de ofensa a elas atribuídas, pois foram feitas em ambiente diverso, e, antecipando-se a qualquer outra conotação, esclarece que as criticas restringem-se ao ambiente do debate técnico e político dos assuntos que dizem respeito aos interesses de Mato Grosso do Sul e ao Ministério do Meio Ambiente". Um pouco antes, Puccinelli disse em nota que sua declaração foi dada em tom de brincadeira.

17/09/2009

Armário, mídia e Richarlyson


O mundo esportivo nunca reagiu bem à sexualidade "desviada" de seus atletas. É fato. Vide a traumática experiência do volante são-paulino Richarlyson e a super maldosa declaração do ex-executivo da Renault, Flavio Briatore - ao tentar jogar fumaça no noticiário sobre trapaças feitas pela equipe para favorecer o piloto Fernando Alonso. O ex-chefão da F-1 não titubeou em "acusar" Nelsinho Piquet de ter caso com um homem mais velho. Tudo para fugir da culpa no cartório.

O machismo domina o mundo do futebol e do automobilismo. Essa relação de dominação foi plenamente confirmada na edição desta quinta-feira, do jornal esportivo Lance!, cuja manchete foi "Revelações de Ricky" (você pode acompanhar um vídeo feito durante a entrevista e aproveitar para tirar as próprias conclusões). Não espere que essas linhas façam uma defesa exclusiva do jogador - diante da possibilidade real de o atleta ser homossexual (sim, todas as quintas-feiras, Richarlyson desce até o chão, na pista da boate Aloca, com direito a óclão e micro-shorts).

O texto sobre Ricky ocupou três páginas do jornal esportivo. De autoria de Sergio Gandolphi, passa a clara impressão de que houve o seguinte acordo entre cavalheiros: do lado do jogador, a aceitação em conceder a entrevista - desde que o jornal respeitasse a vida pessoal do volante. "A mídia esportiva tem de falar do trabalho esportivo, dentro de campo", reclamou o atleta ao ser questionado sobre sua vida pessoal. "Se fosse uma revista, ou jornal de celebridades, eu falaria sem problemas". Mas, é o Lance!. Portanto, nada de assumir.

O início do texto já dá sinais de que o "acordão" pesou na hora da entrevista. O jornalista começa lembrando que Ricky envolveu-se em uma polêmica com um dirigente no Palmeiras. Calma, lá. Essa polêmica tem nome. Ao ser perguntado, durante um programa jornalístico, sobre a contratação de um jogador homossexual para o elenco palmeirense, o ex-cartola José Cyrillo Júnior disparou: "Richarlyson joga no São Paulo". O nome da polêmica é homofobia. Mas, talvez, o autor do texto tenha achado deselegante lembrar o leitor sobre isso. Preferiu apenas sinalizar que o jogador, agora, havia dado a volta por cima - o atleta que mais cresceu em 2009.

As primeiras perguntas do repórter são ligadas ao desempenho técnico do jogador, motivação, a falta de gols e a possibilidade de ser tetracampeão do mundo, pelo São Paulo Futebol Clube. Perguntas mais que relevantes, é verdade. O assunto passa a nos interessar diretamente à medida em que começa a entrar na chamada "vida pessoal" do atleta. As aspas dizem tudo:


"(...)Nunca tive pressão para mudar nada. Quando cheguei, cortei o cabelo porque estava feio, ridículo. Eu fui e cortei. Ninguém me pressionou, cheguei e falei que estava feio (...) Porque eles deixam eu fazer as coisas que eu gosto, não o que eles querem. Padrão eu sigo, lógico, mas o padrão profissional, o mais importante (...) É curioso que eu passei três dias sem treinar por causa dos cartões amarelos (ganhou folga), e disseram que o ambiente ficou mais triste. E eu tiro sarro mesmo, dou risada, chego brincando (...) Para a maioria que me ofende, nem ligo, porque é uma coisa banal (...) Cada um se veste do jeito que quiser. Mas tem uns jogadores aqui no elenco que são bem cafonas, outros se vestem bem e outros acham que se vestem bem (...)"

É possível falar que Richarlyson tenha deixado passar uma chance única. Três páginas para tocar em assuntos delicados. E desmistificar, de uma vez por todas, essa história furada de "revelações". Afinal de contas, a homofobia que aplaca um esplêndido jogador de futebol como é o caso dele não é nada. Ele nem liga. A mesma homofobia que faz torcedores gritarem "Bicharlison", nos campos, ou simplesmente ignorá-lo quando entra em campo, também é responsável pelas centenas de mortes patrocinadas pelo ódio.

Há alguns dias, abordei aqui a história do documentário "Outrage", que deve estrear nas telas brasileiras durante o Festival do Rio, no próximo mês. Toda essa história acaba desembocando em um cenário bastante parecido. Nele, o diretor Kirby Dick aborda a história de politicos norte-americanos que defendem publicamente medidas anti-gays cujas biografias são "manchadas" pela "sexualidade suspeita". Logo quando o diretor palmeirense acusou Ricky de ser homossexual, o jogador preparou a cena, arrumou uma namorada e pimba. Virou o rapaz heterossexual do momento.

O tempo passou, a namorada nem existe mais. Ele começou a frequentar as baladas gays. A sexualidade aflora. Mas, Richarlyson preferiu se manter no armário. Ele tem o direito de permanecer lá, se essa for a escolha dele. Mas, que é uma pena. Isso é.

16/09/2009

Livro retrata o lesbianismo

“No mundo todo mulheres se amam, se desejam, fazem amor. Hoje, como ontem e amanhã. Como em todas as histórias de amor, elas vivenciam felicidade e mágoa. Ao fazer isso, não prejudicam ninguém, não usurpam a liberdade alheia nem perturbam a ordem social. Elas mantêm relacionamentos consentidos entre adultos, sem nenhum crime ou violência e, na maioria dos casos, como acontece em matéria de amor, na intimidade. E, no entanto... Na maioria dos países essas mulheres são recriminadas, agredidas, às vezes assassinadas, em função de sua preferência amorosa. Hoje, como ontem e amanhã”.

É dessa forma que Stéphanie Arc inicia o prefácio do livro As Lésbicas – Mitos e Verdades (Edições GLS), obra que já está à venda em livrarias do País. No livro, a autora, que é formada em Filosofia Moral e Política pela Sorbonne-Paris e é também jornalista, analisa e comenta as ideias preconcebidas sobre o lesbianismo.

A partir de pensamentos preconceituosos e amplamente difundidos (como é fácil reconhecer uma lésbica; elas gostariam de ser homens; elas sofreram abusos sexuais na infância; elas nunca se relacionaram com um homem decente), Stéphanie Arc aborda questões de identidade, gênero e até biologia, e fornece um retrato detalhado do lesbianismo ao longo da história e nos dias de hoje.

136 páginas R$ 31
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